Dra. Maria Thereza alerta para riscos das canetas emagrecedoras contrabandeadas
Médica ginecologista e obstetra afirma que medicamentos de origem desconhecida podem causar danos graves ao fígado e ao pâncreas e destaca que tratamento da obesidade deve ser individualizado.

Dra. Maria Thereza fez o alerta em entrevista para o programa RCN Notícias (Foto: Divulgação)
Segundo a especialista, medicamentos como a tirzepatida e a semaglutida representam um importante avanço no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, por atuarem diretamente no controle da fome, da saciedade e da produção de insulina. No entanto, ela alerta que produtos contrabandeados podem não conter a substância original, já que são comercializados sem qualquer fiscalização das autoridades brasileiras.
Maria Thereza explicou que algumas substâncias, como a retratrutida, sequer foram liberadas para comercialização oficial, mas já são encontradas no mercado ilegal. De acordo com a médica, essas versões clandestinas podem provocar lesões severas no fígado e no pâncreas, além de apresentarem efeitos colaterais muito mais intensos do que os medicamentos aprovados pelos órgãos reguladores.
Entre as complicações mais preocupantes estão pancreatite, hipoglicemia grave, desidratação, problemas oftalmológicos e perda excessiva de massa muscular. A médica também citou o aumento de casos de queda de cabelo, alterações intestinais e formação de cálculos na vesícula em pacientes que utilizam essas medicações sem orientação adequada.
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a importância da procedência do medicamento. Maria Thereza explicou que qualquer caneta emagrecedora trazida do Paraguai é considerada irregular no Brasil, independentemente de ter sido adquirida em farmácias do país vizinho. Segundo ela, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não possui mecanismos para fiscalizar esses produtos quando entram em território brasileiro.
A especialista também ressaltou que existem alternativas legalizadas e aprovadas pela Anvisa, incluindo medicamentos à base de semaglutida, que apresentam custo mais acessível e segurança comprovada por estudos clínicos. Apesar disso, ela enfatizou que nenhuma dessas medicações deve ser utilizada por conta própria.
Durante a entrevista, a médica reforçou que a obesidade deve ser encarada como uma doença e não apenas como uma questão estética. Segundo ela, o excesso de peso está diretamente relacionado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes, gordura no fígado e diversos tipos de câncer. Por isso, o tratamento deve ser individualizado, baseado em exames laboratoriais e de imagem, avaliação clínica e acompanhamento multidisciplinar, envolvendo médico, nutricionista e prática regular de atividade física.
Maria Thereza explicou ainda que, antes do início do tratamento, são solicitados exames para avaliar, entre outros aspectos, a função do fígado e do pâncreas, permitindo definir a melhor estratégia terapêutica para cada paciente. Ela alertou que o uso indiscriminado das canetas, motivado apenas pela busca de emagrecimento rápido, pode colocar a saúde em risco e comprometer os resultados a longo prazo.
Ao final da entrevista, a médica fez um apelo para que a população não coloque a própria saúde em risco adquirindo medicamentos de origem duvidosa. "A saúde é uma só", reforçou, destacando que qualquer tratamento para emagrecimento deve ser conduzido por um profissional habilitado e com medicamentos devidamente aprovados pelos órgãos de fiscalização.
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