Agosto Lilás

CREAS registra aumento na procura por ajuda e alerta para crescimento da violência doméstica

Coordenadora Lucimeire Brandão afirma que mulheres têm procurado espontaneamente o serviço em Aparecida do Taboado e reforça que atendimento pode ser buscado mesmo sem boletim de ocorrência.

Por Mauro Silva11/08/2026 às 12:23

Lucimeire Brandão, coordenadora do CREAS em Aparecida do Taboado (Foto: Mauro Silva)

O Agosto Lilás é um período de mobilização e conscientização sobre a violência contra a mulher, mas, segundo a coordenadora do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de Aparecida do Taboado, Lucimeire Brandão, o enfrentamento precisa acontecer durante todo o ano.

Em entrevista ao programa RCN Notícias, da Rádio Cultura FM, Lucimeire destacou que, apesar do aumento das campanhas de conscientização, os casos de violação de direitos contra as mulheres continuam ocorrendo. Ao mesmo tempo, ela considera positivo o fato de mais mulheres estarem procurando espontaneamente o CREAS em busca de orientação e apoio.

De acordo com dados apresentados pelo programa, até o dia 3 de agosto, a Polícia Civil havia registrado 115 ocorrências de violência doméstica em Aparecida do Taboado, contra 90 no mesmo período do ano passado, um aumento de aproximadamente 28%. Também foram registradas 34 prisões em flagrante neste ano, contra 30 no mesmo período de 2025.

Lucimeire explicou que os números do CREAS e da Polícia Civil não são necessariamente iguais, pois representam situações diferentes. Enquanto a polícia contabiliza os registros de ocorrência, o CREAS contabiliza os casos em que as mulheres aceitam ou procuram atendimento para enfrentar a situação de violência.

A coordenadora fez questão de destacar que a mulher não precisa ter um boletim de ocorrência para procurar o CREAS. O serviço também pode ser buscado por quem precisa conversar, receber orientação e se fortalecer para tomar uma decisão sobre o relacionamento.

Segundo Lucimeire, muitas mulheres chegam ao serviço com medo do agressor e preocupadas com o futuro dos filhos. Em alguns casos, elas também enfrentam dificuldades financeiras e falta de estrutura para recomeçar a vida.

Ela relatou situações em que mulheres chegaram ao atendimento depois de venderem praticamente todos os bens que tinham em casa, ficando sem uma estrutura mínima para morar. Por isso, o atendimento não se limita ao acompanhamento psicológico: pode envolver apoio social, encaminhamentos para serviços públicos, inclusão das crianças em atividades e busca por oportunidades relacionadas ao mercado de trabalho.

“Ela precisa de um apoio em todos os sentidos”, explicou a coordenadora, destacando que a mulher precisa ser fortalecida para conseguir reconstruir a própria vida sem o agressor.

A equipe técnica do CREAS, segundo Lucimeire, conta com profissionais que atuam no atendimento às vítimas de violência doméstica desde 2013. Para ela, esse trabalho permite oferecer um direcionamento às mulheres que muitas vezes não conseguem enxergar uma saída enquanto estão vivendo o problema.

Ações do Agosto Lilás

Lucimeire também falou sobre a programação do Agosto Lilás no município. Uma das propostas era levar orientações às escolas estaduais, especialmente para adolescentes, diante da preocupação com o início cada vez mais precoce de relacionamentos abusivos. A ação, porém, precisou ser adiada em razão das restrições relacionadas ao período eleitoral.

O CREAS também está realizando palestras em empresas. Segundo a coordenadora, algumas empresas já costumam receber as equipes para ações de conscientização, e outros estabelecimentos interessados podem procurar o serviço para verificar a possibilidade de incluir a atividade na programação.

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