Aparecida do Taboado

Corpo de Bombeiros alerta para aumento de 35% nas queimadas

Comandante da corporação afirma que período de estiagem preocupa devido ao crescimento das ocorrências e aos riscos de um possível agravamento provocado pelo El Niño.

Por Mauro Silva28/07/2026 às 18:39

Ocorrências de queimadas no primeiro semestre ocorreram na cidade e área rural de Aparecida do Taboado (Foto: Corpo de Bombeiros)

Com a aproximação do período mais crítico da estiagem, o Corpo de Bombeiros Militar de Aparecida do Taboado intensificou os preparativos para enfrentar a temporada de queimadas. Em entrevista ao programa RCN Notícias, da Rádio Cultura FM, o comandante da corporação, capitão Raimundo, fez um alerta à população sobre o aumento dos incêndios em vegetação e pediu a colaboração de moradores da cidade e da zona rural para evitar focos de fogo.

Segundo o comandante, o planejamento da corporação começa ainda no período chuvoso, quando são realizados treinamentos da tropa, manutenção de viaturas e testes de equipamentos, garantindo que toda a estrutura esteja pronta para atender as ocorrências durante a estiagem.

Na região de Aparecida do Taboado, a atuação dos bombeiros exige atenção especial às extensas áreas de eucalipto e propriedades rurais. Por isso, além do treinamento operacional, a corporação mantém um trabalho conjunto com empresas do setor florestal para fortalecer a resposta em casos de incêndios de grandes proporções.

Apesar de, nos últimos anos, o número de queimadas ter apresentado redução graças às ações preventivas, o cenário de 2026 preocupa. De acordo com o capitão Raimundo, houve um aumento de 35% nas ocorrências de incêndios em vegetação em Aparecida do Taboado, na comparação com o mesmo período de 2025.

Capitão Raimundo, comandante do Corpo de Bombeiros em Aparecida do Taboado (Foto: Gabi Almeida)

O comandante destacou que o dado é ainda mais preocupante porque ocorreu em um ano com maior volume de chuvas, o que favoreceu o crescimento da vegetação. Com a chegada da estiagem, esse material seco poderá servir de combustível para incêndios de maiores proporções.

As equipes já atenderam diversos chamados neste início do segundo semestre, tanto na área urbana quanto na zona rural, evidenciando que a temporada de queimadas começou antes mesmo do período considerado mais crítico.

Outro fator que aumenta a preocupação é a possibilidade de uma estiagem mais severa, associada aos efeitos do fenômeno El Niño. Segundo o comandante, o Governo do Estado já reforçou a estrutura do Corpo de Bombeiros com novas viaturas para combate a incêndios florestais, enquanto as condições climáticas são monitoradas constantemente pelas equipes técnicas em Campo Grande.

O Corpo de Bombeiros também mantém parceria com empresas da região por meio de um plano de ajuda mútua emergencial, envolvendo indústrias como Alcoolvale e Arauco, além de outras empresas que integram a rede de comunicação da corporação. A iniciativa busca agilizar a resposta em grandes ocorrências e ampliar a capacidade de combate aos incêndios.

Durante a entrevista, o capitão Raimundo reforçou que colocar fogo em lixo, restos de poda ou utilizar queimadas para limpeza de terrenos e propriedades rurais pode provocar consequências graves. Além dos danos ambientais e prejuízos a propriedades vizinhas, essas ocorrências mobilizam equipes que podem deixar de atender emergências envolvendo risco à vida.

"Enquanto uma guarnição combate um incêndio em vegetação provocado por ação humana, outra ocorrência grave pode estar aguardando atendimento. Às vezes, pode ser um familiar da própria pessoa que iniciou o fogo", alertou o comandante.

O Corpo de Bombeiros lembra que a prática de queimadas irregulares pode configurar crime ambiental e gerar multas e outras sanções administrativas. A orientação é que a população evite qualquer tipo de queima durante o período de estiagem, contribuindo para a preservação do meio ambiente, da qualidade do ar e da segurança de toda a comunidade.

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